terça-feira, 8 de janeiro de 2013

DEPOIS DO FIM DO MUNDO.

O ano tinha começado. A volta a realidade. As contas. Ao preto e branco. As contas. A correria, fuxicos de escritório, rincha de família, contas, já falamos delas?

- Amorido. (Sim, é isto que você imaginou, amor + marido) e agora? - Perguntou Dulce Léa sentada desconsolada a beira da cama. Mas seu marido, o Amor ou melhor Alan Lincoln, estava distraído sentado a escrivaninha em seu notebook. - Amorido!!! E agora?

Ela a olhou num sobressalto.

- E agora o que, Amorida? (Amorida... Amorida é... Bem, deixa pra lá.).

- E agora? Pra você tá tranquilo? É assim? - perguntou ela exasperada.

Alan Lincoln respirou fundo.

- Amorida, presta atenção, não tem necessidade tá? Não precisa ser como a maioria das mulheres que falam de um assunto pelo o meio do caminho e acham que nós homens vamos saber do que estão falando. Por favor, seja mais clara, e vamos direto ao ponto.

- Por favor! É óbvio! O mundo não acabou!

Dulce Léa arregalou os olhos ao falar e se largou na cama. Estava desolada com tal informação. Já o seu marido mal podia crer no que acabava de ouvir.

- Você está falando sério? - questionou ele incrédulo.

- Amorido... Hello! Esperávamos por isso. Eu esperava! Agora é tudo de novo. É trabalho, é chefe, são as contas. Sua mãe, né Amorido, nem preciso comentar muito, sua mãe Amorido... - Ela balançou a cabeça limitando-se nas palavras e de repente parou, como outro pensamento ainda pior que a sogra a fizesse gelar. - Amoridinho do Céu, e tem mais, sabe o que tem?? BBB13 Amorido, pense nisso! Pior que isso! Os comentários dos anti-BBBs no cara-livro! Amorido, você pode imaginar? Juro para você que não entendo. Não gosta? Muda de canal, tão simples! Para mim é tudo fuxiqueiro do mesmo jeito, não ta cuidando da vida de quem tá no programa, mas tá cuidando da vida de quem assiste, com essas reclamações todas. Não acha?

Alan Lincoln nem sequer se mexeu. Continuou olhando para tela do notebook entretido.

- Amorido! Você ouviu tudo o que eu falei?

- Vem cá... Cara-livro? - comentou ele distraído.

- Ouvi essa lá no escritório, achei engraçado, resolvi aderir. Ainda mais que o mundo não acabou mesmo, então...

- Para, para... Não vai começar todo o discurso de novo. Sinceramente, não to conseguindo acreditar que você achou mesmo que o mundo ia acabar. - ele disse pausadamente com o receio que isso provocasse um ataque TPM. Porque sabia o quanto era perigoso não levar a sério qualquer declaração que sua mulher viesse a dar.

Dulce Léa levantou da cama, caminhou até a escrivaninha e olhou bem sério para ele. O marido endireitou-se na cadeira, sabia que tinha pisado em terreno perigoso, ficou em silêncio a espera do bombardeio.

- Você está calmo, porque não sabe o que eu fiz. - ela tinha um brilho estranho no olhar.

- O que você fez Dulce Léa. Que cara é essa?

- Alan Lincoln, eu o amo muito, mas sinceramente achei que o mundo iria acabar, os Maias disseram...

- E?

- E eu dei o cachorro. - disse seca e taxativa.

- Você fez o que? Você disse que ia pegar o Snoopy Marley no hotelzinho de cachorro, que ele ficou quando viajamos!

- Eu menti. Ele nunca foi para hotel. Eu menti. Ele foi para um sitio, em Potirendaba.

- Poti quem?? Para onde? Onde é que fica isso aí, Potirendabaraba? Por que fez isso?

- Potirendaba. Sei lá, não queria vê-lo morrer! Aí pensei em mandá-lo para um lugar no meio do nada, quem sabe lá numa cidade esquecida, o fim do mundo não chegasse?

- Você enlouqueceu Dulce Léa.

- Amorido, tem mais, eu te amo muito mais, eu liguei para sua mãe e mandei-a tomar... Bem, você sabe. Tava engasgado, Amorido! O mundo ia acabar, e aí eu precisava dizer, precisava.

- Você não fez isso. Não fez!

- Fiz, mas foi rápido, nem falei que era eu, olha que benção. Eu liguei, ela atendeu , mandei ela lá pro meio do olho do... Bem, você sabe. Mas... Amorido, eu te...

- Não me fala que me ama, porque já to traumatizado o suficiente da sua associação de amor as tragédias... - ele pediu desesperado.

- Amorido, só mais uma coisa...

- Ai Senhor. Ai minha Santa Clara. Ai ai ai ai. Não quero ouvir. Não quero! Criatura, vou te internar, você enlouqueceu!

- Amorido, eu te amo...

- Não fala!

- Mas eu dei todo nosso dinheiro da poupança.

- Nãooooooooooooo!!!!!! - Ele desabou no chão, já chorando. - Por que mulher? Por que Amorida? Você não está bem!

- O mundo ia acabar Amorido, me entende! - ela estava inconformada com a falta de sensibilidade dele.

- Para quem você deu o nosso dinheiro!?

- Para o Zé Bello, o dono do sítio de Potirendaba, já que para nós não ia ter valia depois do fim do mundo. Só dei uma condição para ele levar o dinheiro, que ele ligasse para sua mãe todos os dias, até o dia 21 e falasse para ela...

- Tomar naquele lugar. - Completou ele passado.

- Não, para que ela fosse pro inferno. Assim, só para reforçar... Já que o mundo ia acabar e tal... - ela havia sentado de modo tímido na cama novamente, os dedos entrelaçados, pernas cruzadas e retraídas.

Alan Lincoln andou de um lado para o outro. Bufou. Olhou para cima. Desnorteado, não sabia o que fazer ou falar. Se ia embora. Se a mandava embora. Se a internava. Se deixava tudo para lá e ia assistir BBB. Mas foi então, que um lampejo passou por ele. Ele sem dizer nada, foi até a porta do quarto, se pôs atrás dela como se fosse fechá-la, só que antes disse:

- Sabe Amorida, por um minuto eu também acreditei que o mundo pudesse acabar, então, pensei eu: "Como seria comer uma magrinha?" e aí pensei em comer a Margareth Tati, sabe? A estagiária? - dito isso, fechou a porta e já se encaminhou para a porta da rua correndo... Mas não antes de escutar um vaso se espatifando na porta do quarto e sua esposa vociferando:

- Alan Lincoln, isso é imperdoável Alan Lincoln!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

PROGRAMA DE ÍNDIO

Mona Laisa tinha um namoro tranquilo. Ele, Ryan Bryan, era muito especial para ela. E apesar de extremamente diferentes em gênio, eles se entendiam muito bem quando mundo era só eles dois.

Ryan Bryan, era extremamente caseiro, família, tímido. Mona Laisa era do mundo, falante e até um pouco desapegada de tudo... Mas ainda assim, estarem juntos era especial. Um complementava o outro. Ele a dava momentos de calma, e ela por sua vez, trazia um pouco de loucura para a sua vida...

Foi em um momento de loucura comum a ela e surpreendente a ele, que bolou mais um de seus planos. Mona Laisa estava de babá do cachorro de uma amiga que viajou, logo uma ideia lhe surgiu. Ligou para o namorado.

- Ry? Tudo bem? Você topa fazer um programa de índio?

Ryan Bryan estranhou a pergunta. Mas vindo de Mona Laisa, de tudo podia se esperar...

- Programa de índio? - Ele comentou desconfiado.

- Sim, eu to de babá do cachorro da Thayla Thalita. E precisava ir amanhã, 08hs da manhã, lá no apartamento dela. Você não vai comigo? Depois vou trazê-lo aqui para casa.

Na verdade, ele não entendeu o por quê do convite, ela realmente não precisava dele para fazer isso. Uma vez que a Thayla Thalita morava perto de sua casa. Mas ainda assim considerou e aceitou levá-la.

No dia combinado, na hora combinada ele estava lá, pronto para levá-los ao programa de índio. Ainda rindo da situação de acordar cedo para buscar um cachorro de alguém que ele nem bem conhecia.

Chegando no apartamento, os dois entraram brincando descontraídos. Ryan Bryan foi direto procurar o cachorro para levá-lo, no entanto, o olho de Mona Laisa brilhava, e algo passou pelo ar. Ela o chamou para conhecer o apartamento. E assim que ele entrou no quarto, ela fechou a porta. Ele a olhou assustado.

- Você acha que eu o chamaria sem intenção nenhuma? - ela perguntou numa voz rouca, caminhando em sua direção.

Ryan Bryan ficou pasmado, tentando entender a cena.

- Acha mesmo que esse programa de índio seria apenas buscar o cachorro? - ela o alcançou e o empurrou na cama.

Ele estava literalmente emudecido... Tentava falar, mas as palavras morriam a boca. Mona Laisa por sua vez, sabia bem o que queria dizer e fazer...

- Mas não podemos! Aqui? Assim? - Ele começou um protesto.

Ela começou a tirar a roupa lentamente... E obviamente por debaixo da roupa tranquila de uma manhã de sábado, ela vestia uma lingerie provocante.

- Você não quer? - Ela foi subindo pelo corpo dele e o beijando lentamente. Completamente excitada pelo "errado", por usar uma casa alheia completamente sem permissão.

Ryan Bryan já não pensava. Não sabia mais o que era certo o que era errado. Não sabia se a agarrava com força, ou se esticava o lençol da cama alheia que estavam bagunçando. Não sabia se a beijava ou se falavam para irem embora. Mas por fim cedeu aos encantos dela.

Intensos, transaram. Aproveitaram cada minuto daquela manhã atípica. Mais uma vez a loucura da Mona Laisa marcou a história deles. E para sempre nenhum dos dois esqueceriam o tal programa de índio.

Sendo assim, se algum dia alguém lhe pedir para cuidar do seu bichinho considere o tal programa (de índio) uma idéia um tanto quanto interessante... Fica a dica.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ENCHENDO LINGUIÇA.

É véspera de feriado. Ou seja, ninguém vai ler. Ninguém vai nem notar que não vai ter um nome composto. Não vão nem chegar aqui no blog hoje. E na segunda feira, então, esse texto já vai ser passado do passado. Ninguém vai lembrar que a Lica-feira passou.

Sendo assim, pouco importa o que eu escrever aqui neste texto. Posso escrever qualquer coisa. Como por exemplo: Eu já quis muito ficar com um padre. Oh!! Oh nada, grande coisa. Tenho certeza que ninguém leu isso. Sendo assim, morreu por aqui.

Posso também falar que me imagino um dia no Jô. Sabe? O Soares? Olha eu, falando "sabe", como se estivesse falando com alguém. Sendo, que obviamente hoje, não tem ninguém aqui. Está, a essa altura do campeonato, todo mundo rumando para algum canto. Mas é isso, me imagino no Jô Soares, não sei para falar exatamente o quê. Talvez do blog, talvez de um possível livro... Sei lá, nem acho que venha a acontecer mesmo. Mas me imagino. E tenho certeza absoluta que rolaria no final aquele "AHHHHHHHHHHHHHHH". E daí né? Isso nunca ninguém vai saber.

Tudo que eu vier a falar agora não vale de nada. Alguns até já estão bêbados, em algum lugar por aí. Imagina? Happy Hour comendo solto!!! Então posso até falar que acho o marido da minha amiga um gato, gostoso, tudo de bom. Isso, ela sabe, eu falo pra ela sempre. Falo até demais. Ela sabe que não é por mal, é só porque ele é gostoso mesmo! Mas para outras pessoas isso pode ser absurdo, motivo de julgamentos crúeis. Por isso, posso falar aqui agora... Ninguém vai ver mesmo, não faz a diferença.

Nesse momento, as estradas devem estar lotadas, o feriado para ajudar é prolongado. Acha mesmo que alguém tá aqui lendo. Ah ah ah. Eu tenho simancol. Sei que nesse "exato" momento, todo mundo tem mais o que fazer. E tudo bem, eu não os odeio por isso. Tá, talvez odeie um pouco. Talvez reze para chover no feriado todo, mas tranquilo, tipo inveja frutacor, sabe? Olha o "sabe" de novo, eu acho que to falando com quem? Oh dó.

Eu até arriscaria hoje, mandar um recado para um ex namorado sem noção. Mas aí, já seria demais. Ainda que hoje, eu fale com a parede, nem a parede merece esse assunto. Então, vou nos poupar de tal coisa.

Pois é... Feriado. E eu aqui escrevendo algo sobre nada, para encher linguiça. Só para não falar para mim mesma que deixei a Lica-Feira passar. Alguém por aí? Hey... Alguém?? Claro que não né? Obvio que não... Então tá. Vou nessa. Quem sabe o feriado me reserva algum padre, ops, quero dizer uma surpresa...

Mas olha só, se existir alguma santa alma lendo aqui, a torcida pela chuva é brincadeira tá? Não to torcendo não... Mas do marido da minha amiga, é verdade... Ohhhh se é. Mas abafa forte!!! E vamos em frente até que a próxima Lica-feira chegue.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ALGUÉM PARA VOCÊ

"Pressão, vamos botar pressão mamãe..." Elis Ana passou por uma rua qualquer e ouviu este axé antigo vindo de alguma das lojas, riu consigo, pois, achou que veio a calhar com seu momento. Tinha acabado de desligar o telefone com a mãe e o assunto de 98,9% da ligação tinha sido que já estava na hora dela "arrumar alguém". O restante da conversa foi a receita do molho de vinagrete da pastelaria. Enfim...

Veja bem, "arrumar alguém". Sabe como é, né? Daquele jeito que você fala pro seu amigo que trabalha numa agência de comunicação: "Me arruma ingressos?". Você também fala para seus amigos: "Me arruma alguém?". E o mais interessante, deste peculiar pedido é que ele sempre é atendido... Com um "alguém bizarro"!

Certa vez sua amiga Glaucia Luzia veio com aquela famosa história: "Estou ficando com um cara, e ele tem um amigo...". Quem nunca? Háá. Apostava que nem queriam falar nesse assunto. Mas ela contaria, Glaucia Luzia marcou na praia o primeiro encontro e lá estava ele, "o amigo". Parado vestido um shortinhos daqueles de futebol, mas mais curto, sabe? Meio surrado, vermelho... Contrastando com o seu bronzeado "largatixa branca que se confunde com a parede" e um óculos "moderninho". Não iria explicar o moderninho. Vergonha alheia demais. Mas Elis Ana foi guerreira. Beijou o moço. O beijo era ruim. Ela ainda aguentou um mês. Quando ele falou em filhos. E ela definitivamente não teria lagartixas branquinhas.

Mas não só Glaucia Luzia havia a metido em uma situação estranha. Estela Begônia já tinha também contribuído na sua história no capítulo: "Me arruma alguém?". Ela veio lá com o amigo do peguete. Aparência "perigosa". Alourado, meio malandrão, barba por fazer... Falando em gíria. A pegada super mega blaster... Mas algo suspeito pairava no ar. Cada vez que Elis Ana chegava no bairro da minha amiga, o seu telefone tocava, e lá vinha a voz autoritária dele: "Você está aqui no bairro. Estou indo te ver...". Nas festas, todos baixavam os olhos enquanto ele passava. Na cara de Elis Ana então, ninguém olhava nunca. Ela desconfiava do comportamento, e um dia exagerou na pergunta, mas não imaginava no que viria de resposta: "Hey você é traficante?", e ele então respondeu: "Então, não sou o trafica mas digamos assim doçura: EU SOU O CARA, saca assim?" Elis Ana não sacava, nem queria sacar e nunca mais sacou nada que veio dele.

Teve uma vez que seu amigo Rolando Vitório lhe arrumou alguém. Ligou para ela falando que tinha um amigo, que andava meio cabisbaixo. Que ele achava que estava precisando de alguém que animasse sua vida. Achava-lhe perfeita para o "caso", uma vez que estava solteira, era bonita, divertida, bla bla bla... Passou as redes sociais do moço, e na primeira conversa... Que rufem os tambores... Ela ouviu uma linda "declaração" do alguém em questão: "Meninaaaaaa, me deixa usar as suas calcinhas!! Fico logo lokaaaaa!! Faço a Claúdia num "Não fuja da Raia" Vrááá. ". Verdade, não riam, isto é sério.

Heis, então, que o que a sociedade chamaria de encalhamento, Elis Ana chamaria apenas de falta de "alguém" normal no hall dos amigos. Não que ela dependesse dos amigos para isto, mas é que sempre surgia o "alguém alheio" no seu caminho. Mas ela jurava estar cada vez mais seletiva. E aceitando cada vez menos os alguéns arrumados. Um dia haveria de ser...

E foi quando, ela continuava sua caminhada pela rua, perdida nestes pensamentos, ouviu mais uma música vinda de um rádio qualquer: "E quando um certo alguém. Desperta o sentimento. É melhor não resistir e se entregar..." Era isso. Simples assim. Ah mamãe, se você pudesse entender...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

UMA ESPOSA DESCONTROLADA.


Paula Gleidicy passou pela sala indo da cozinha para o quarto, a princípio distraída, mas se deteve e olhou mais atenta para o Wilton Jairo. Ele estava estranhamente largado no sofá. Os olhos vazios e perdidos num lugar que ela almejava descobrir. Aquela postura não era costumeira dele. Sempre tão ligado e ativo. Ela ficou preocupada.

- Amoreli? - ela se aproximou cautelosa chamando-o. Porém, em um primeiro momento, ele não a atendeu, por isso, ela tornou a chamar – Wilton Jairo?

Ele a olhou com os olhos baixos e apenas mexeu com a cabeça, questionando-a em silêncio sobre o que ela queria.

- Amoreli, tá tudo bem? Tô te achando caído. - automaticamente colocou a mão sobre a testa dele para medir-lhe a temperatura – Tá com febre?

- Não. - Falou ele desviando a cabeça de sua mão. - Chateado.

- Oh More, chateado? Por que Morelizinho?

- A Carmem... - comentou ele baixinho.

Os olhos de Paula Gleidicy piscaram seguidas vezes, em um tique nervoso. Respirou fundo antes de perguntar quase que soletrando as sílabas:

- Que Carmem, Wilton Jairo? - o som saiu entre os dentes.

- Carmem Lúcia...

- Wilton Jairo! Fala logo, você está me traindo com a Carmem Lúcia? Quem é esta sirigaita!? É isso mesmo Wilton Jairo? Eu não posso crer nisto! Não posso! É por isso que você está com esta cara de... de... nádegas! Para não falar outra coisa né, Wilton Jairo? Pra você ver, eu não sou baixa como ela. Porque essa sirigaita, só pode ser muito baixa para sair com homem casado. Só p-o-d-e, Wilton Jairo! Desde quando, só te pergunto isso, desde quando Wilton Jairo?

O marido endireitou sua posição no sofá e finalmente saiu do clima apático que se encontrava. Olhou bem no rosto dela, deixou as palavras morrerem num suspiro. Baixou a cabeça, levantou novamente e a encarou mais uma vez. Por fim, perguntou num tom muito sério:

- Do que você está falando, pelo o amor de Deus, Momô?

- Agora é momô? Agora você vai fazer o “Lula”?

- Fazer o Lula? Oi?

- É Wilton Jairo, o que não está sabendo de nada! - os olhos dela já marejavam lágrimas.

- Você não pode estar falando sério. Você tá louca, Amoreli?

- Tô louca!! Tô louca sim, meu querido ex marido! - Levantou-se do sofá, atirando as almofadas mais próximas para todos os lados. - Tô muito louca!

De repente ela parou. Seu olhar ficou desafiador e o semblante impassível. Ela se aproximou novamente dele e voltou a se sentar.

- Aliás Wilton Jairo, é isto que você fala? “Oh tadinha da minha esposa, é louca, nem posso dormir no mesmo quarto que ela. Faz muito tempo que não “dormimos” juntos” - ela fez uma voz propositalmente de coitadinho para em seguida vociferar – É isso Wilton Jairo, aposto que você fala que eu sou louca, por isso que você não se separa de mim, porque tem dó. Mas que já nem há sexo entre nós há anos. Tenho certeza, que fala isso para ela. A... A... Como chama mesmo a infeliz, Wilton Jairo?

- Carmem Lúcia?

- E você se atreve a confirmar! - Paula Gleidicy já se derramava em choro.

- Você quer mesmo saber? Quer? Cansei do seu ataque e vou mesmo falar tudo! - falou o marido bastante irritado! - Carmem Lúcia não presta, nunca prestou. Além de tudo é apaixonado por outro. Ou outros, ou vai saber se só por si mesma. Porque ela sim, é louca! Mas ainda assim, estou chateado. Muito chateado. A Carmem Lúcia, vai me deixar. E pela primeira vez eu realmente senti apego. Mas agora vai acabar. Já está certo. E por mais que ela não preste, eu vou sentir falta dela. Aliás, muita, Paula Gleidicy. A Carmem Lúcia, mais conhecida como Carminha, vai me deixar na sexta-feira próxima. Satisfeita? - Terminou de falar tudo num fôlego só.

Sua esposa levantou do sofá pálida. Sem falar nada virou-se e seguiu em direção ao quarto. Mas antes que pudesse entrar e bater a porta, gritou do corredor:

- Não teve graça Wilton Jairo. Nenhuma!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

NA HORA H.

Mariana Alberta estava afoita contando ao telefone para Audrey Maria.

- Pois então, é como eu estou te falando... Acha que o problema é comigo, amiga?

Audrey Maria riu. Tentando, em vão disfarçar, mas riu.

- Audrey Maria não ri, é sério meu! - Pediu Mariana Alberta em tom de súplica.

A verdade é que não tinha cabimento aquele assunto. Ela saía tinha um ano com o rapaz. Saídas esporádicas, era bem verdade, mas enfim, saiam. Iam aos bares, à lanchonetes, à pizzarias... E a … A... Enfim, a “SÓ” esses lugares. Ela sabia bem que Marco Rodolfo gostava de sua cia. Achava agradável sua conversa e principalmente, a comia com os olhos. Então por quê, oh Senhor dos Senhores, do céu e da Terra, do escambau que o parta, ele não a “finalizava”? Sacou? “Finalizar”?

- Desculpa amiga, mas é que é engraçado. Veja bem, a forma que conta.

- Que forma meuuu, to me abrindo para você falando que o boy não me possui e você ri?

- Possui Mariana Alberta? Quem é que fala assim sem ser o coronel Jesuino!? - Audrey Maria se divertia com a situação.

- Para começar, nem é possuir que o Coronel fala, é lhe usar! - falou brava Mariana.

Audrey Maria riu mais alto. Era inacreditável o quanto Mariana Alberta estava levando aquilo a sério.

- Fala Dre, eu to gorda? Minha roupa tá cafona? Eu to com cara que usa calcinha bege? Acha que ele tem jeito de gay?

E a amiga ria. Ria de perder o folego, Não conseguia esconder o quão cômica achava toda aquela história.

- Para amiga! Fala comigo, conversa... Foca no assunto. Você tá entendendo a gravidade? O cara não quer me pegar nos finalmentes! A gente sai. A gente se dá bem. Não desejamos mal a quase ninguém, mas na hora do “toda história de “(fazer)” amor, tá faltando, sabe qual é?

- Não tem! Audrey, não ri Audrey. Faz isso não que magoa Audrey. To pedindo amiga.

- Desculpa amiga – falou ela com o fôlego entrecortado – mas é que não dá. Pode ser tanta coisa. O cara pode tá te respeitando, amiga, já pensou?

- Amiga, presta atenção amiga. Respeitar no primeiro dia, lindo. Respeitar na primeira semana, que romântico  Respeitar no primeiro mês: “Puxaaa, olha só, bofe pra casar”. Mas faz um ano Audrey Maria. Um ano que eu saio com o boy e nada! Se ele for pelo menos broxa, vou até dar um presente a ele. Pois, vou entender e ficar aliviada, o problema é com ele. Não comigo! Mas se não for Audrey Maria? E se não for, criatura?

O desespero de Mariana Alberta era visível.

- Amiga, olha só, me diz, o que ele te fala? - Audrey Maria tentou segurar o riso e levar a sério o drama de Mariana Alberta.

- Ele diz que não quer me perder! Que me respeita muito! Que não quer estragar tudo!

- Olha aí amiga, o moço tá te poupando do pinto pequeno dele.

- Audrey Maria!

- Audrey Maria o que? É isso minha querida, cola na minha que se passa de ano. O moço tem vergonha do tamanho desfavorecido dele!

- Amiga, se for pior? - Mariana Alberta quase sussurrou ao aparelho telefônico.

- Pior o que? - Audrey Maria disse quase impaciente.

- Se ele for virgem?

"Tu, tu, tu, tu"... Audrey Maria nunca respondeu a pergunta. Até mesmo por que as respostas poderiam ser milhões, das quais, ela por mais que se esforçasse não saberia justificar, nenhuma. Por que um homem não leva para a cama uma mulher? Você sabe dizer?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

GRITOS DE AMOR (OU NÃO) .



A noite tinha tudo para ser quente. Era a noite de comemoração de 9 meses de namoro. Nove perfeitos meses de relacionamento. E tudo estava indo bem, conforme o planejado. Pedro Pietro tinha feito uma reserva em um restaurante ótimo da cidade, comida surpreendente acompanhada de um bom vinho. Vinho, qual diga-se de passagem, tinha deixado Clara Zulmira “frisante”.

O próximo passo era um motelzinho. Claro, óbvio. Como se comemora aniversário de namoro? Levando a vó no parque, é que não há de ser. Nada contra as avós, mas enfim... Chegaram no clima e com tudo. Pedro Pietro com a mão no tche tche re tche tche já para fazer o lerele lerele, esperando que a sua Zuclinha pedisse todo o tchu e o tcha que eles tinham direito.

Deitaram na cama já puxando um a roupa do outro. Aquela loucura. Aquele calor. Aquilo! Sabe aquilo?

- Ai minha Zuclinha, fala aqui pro seu PP o que você quer, fala? - (eu quero tchuu, eu quero tchaa...)

Antes mesmo que Clara Zulmira pudesse devolver a resposta foram “interrompidos” por um som “suspeito” vindo além da parede, vulgo, quarto vizinho.

Tentaram ignorar e fingir que não tinha ouvido nada. Pedro Pietro firmou a mão sobre o corpo da sua namorada e sussurrou baixinho em seu ouvido: “Fala, fala.”. Ela ao ouvi-lo, sorriu safadinha e abriu a boca pra falar novamente. Mas foi neste exato momento que o som “além parede” surgiu de novo.

- Hey babyzita, deixa eles pra lá. Pensa aqui. Pensa em mim. - (chore por mim, liga pra mim, não não liga pra ele...)

- Ai desculpa PP, sabe o que babyzita quer? Quero gritar pra você. AAAAAAA. AAAAAAAAAAAAhhhhhhhhh. Uhhhhhhhhhhh. Vai PP, me faz gritar!!! - a intenção da Clara Zulmira estava clara, se me permitem o trocadilho. Ela apenas estava querendo encobrir os gritos vindos do quarto ao lado, que estavam tirando toda a sua concentração.

- Isso Zuclinha! Assim você me mata! - (ai se eu te pego, ai ai se eu te pego).

Só que os gritos dos vizinhos, vieram numa crescente a preencher todo o ambiente. Não eram gemidos, eram urros. Não era frases calorosas, era o próprio inferno queimando em brasa. Sendo assim, Pedro Pietro, também se rendeu a competição.

- VAI ZUZUCLA. ASSIM! VEM NENÉM – (vem neném, vem neném, neném vem...)

- TO INDO, MEU PP. PEGA NA MINHA CARNE E ME USA! - Oi? Clara Zulmira estava realmente desconcentrada, que tipo de pedido tinha sido aquele?

Só que nada adiantava, os gritos que moravam ao lado, estavam cada vez mais presentes em seus ouvidos. E eram de puro deleite, como se o mundo estivesse acabando ali e nada mais importasse.

Pedro Pietro já estava se armando para a guerra, tinha ideias na cabeça que iria fazer sua namorada gritar muito. Seria agora que ele ia mostrar aos coelhinhos vizinhos quem é que mandava ali. Encheu o peito de ar, começou a beijar o pescoço da sua namorada e ia descer... Clara Zulmira pegou rápido a intenção do seu parceiro.

- AI PP !!! QUE DELICIA PP! VEM SER O GONGO PRA NOS SALVAR!! - Oi? Heim?

“TRIMMM, TRIMMM.” O telefone tocou estridente pelo quarto. Pedro Pietro atendeu num misto de susto e curiosidade, logo veio uma voz séria em resposta.

- Senhor, por favor, cuidado com tanto barulho, já temos clientes reclamando.

- Aí o champs, tá reclamando com o quarto errado. Reclama com o quarto ao lado do nosso!

Desligaram e por um minuto houve um silêncio sombrio. Até que ouviram o telefone soar no apartamento “escandaloso”. Tentaram colar o ouvido na parede para ouvir parte da chamada de atenção, mas pelo menos ao atender o telefone o rapaz sabia falar baixo. Suspiraram aliviados e se olharam imaginando que teriam que reacender o fogo entre eles.

No entanto, para a surpresa de ambos, a reclamação teve efeito contrario e não demorou muito berros enfurecidos (de prazer, será?) adentraram ao quarto. Pedro Pietro não pensou duas vezes, para ele já tinha sido o bastante. Foi até a parede que os separavam e esmurrou a mesma.

- Aí o champs, qual que é? Ta transando ou tá ensaiando pra vender peixe na feira livre?? Vou aí, te enfiar uns supapos e quero ver você gritar, mas de dor, tá me ouvindo champs? - gritava ele, totalmente fora de si aos socos na parede.

“TRIMMMMM, TRIMMMMMMMMM”

- Senhor, por favor, não ameace o quarto ao lado. - a voz séria da portaria vinha novamente.

E assim, qualquer último vestígio de clima deu-se por acabado. Eles riram da situação. Aliás, gargalharam. Alto, diga-se de passagem. Não restava mais o que ser feito, além de vestir a roupa e ir embora.

Assim que pode parar de rir, escreveu um e-mail ao motel, relatando todo seu constrangimento e pedindo por uma reforma acústica no ambiente. Dias depois, recebeu uma resposta, com uma cortesia para um período. Mas desta vez, Pedro Pietro já estava decidido, levaria mordaças. Se não para eles, podia ser para...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

VOU DE TAXI, (VO)CÊ (NÃO) SABE.

Essa história é minha, minha mesmo, que vem da situação: "aconteceu comigo". Por isso, não terá nome composto. Ou quase terá, pois teremos também o Ronisvaldo. E juro, é de verdade, este é o nome. Quase composto, certo?

Sabe uma situação que você nunca imagina passar? Pois então, ela acontece. Mais cedo ou mais tarde, de onde você menos espera, ela acontece.

Eu pedi um taxi (em uma companhia conhecida de taxi de São Paulo), ato corriqueiro para mim. Sou preguiçosa, adoro taxi! E logo recebi a mensagem no celular: "O seu motorista Ronisvaldo, já se encontra no local". Segui para o carro. E como procedimento normal, informei o local de destino. Após me ouvir, logo me questionou:

- Sua voz é sempre assim? - referindo-se a minha roquidão.

- Não, não é. - ri, já acostumada a pergunta. - Está assim devido a uma alergia.

- Nossa, alergia... Desculpa dizer, eu achei sexy.

Bom, este é o momento de que eu falava acima, coisas que acontecem quando você menos espera. E diante ao inesperado, apenas sorri.

- Mas é alergia, como rinite? - prosseguiu ele no papo. - Alergia a tapete, cortina...

- Isso, é rinite. Mas não tenho nada disso em casa, porque sei que faz mal.

- Nem cachorro ou gato?

- Nem isso.

Ele riu de canto de boca, me olhando pelo retrovisor, e arriscou-se:

- Nem cachorro de duas patas?

- Não, nem esse. - apesar que sabia que deveria mentir nesse momento, mas a verdade saiu mais rápido que eu pudesse controlar.

Sim, a pergunta já era o segundo atrevimento da noite, mas mal sabia eu que o pior ainda estava por vir.

Ele virou-se quase que assustado para trás, olhando-me desacreditado. E por um momento, o carro levemente desgovernou.

- Como pode?? Como assim? Isso é sério mesmo, você é solteira?

- Sou. - respondi com toda a paciência que Deus me abençoou.

- Não fala isso! Não posso acreditar! Você solteira, eu solteiro, assim fico com vontade de te agarrar aqui mesmo! - falou sem pausas e bastante eufórico.

Para tudo! Congela. Imagina. Crê? Pois então, difícil de acreditar, certo? Certo, não te tiro a razão... Eu sempre estou escrevendo histórias não é mesmo? Poderia estar inventando: "Ronisvaldo, o maníaco do taxi.". E é por isso, mesmo, por esta sua dúvida que eu já previa, eu comecei a gravar a conversa... Que em algum momento, alguém descobriria esta gravação e ficaria sabendo, que meu rim, foi levado por Ronisvaldo, o taxista.

- Para o carro. - falei entre os dentes.

- O que? Sério? Quer que eu pare?? Eu paro agora mesmo! - entendendo o que bem lhe convinha, que era, que eu estava enlouquecida por ele, e ao ouvi-lo dizer que iria me agarrar, desesperadamente pediria: "Pare o carro Honey, e me agarra então agora!".

Oh Ronisvaldo, meu filho, desce pra Terra, né queridão!

- Para o carro que é pra eu descer!!!! - falei bem séria.

Mentalmente o vi molhado por um balde de água fria.

- Não, Aline, desculpa. Desculpa minha espontainedade. Juro que não fiz por mal. É que é muito para mim acreditar que você é solteira. Até fiquei desnorteado agora.

- Você não tem GPS? Não há necessidade de ficarmos perdidos agora.

- Claro, não vamos ficar perdidos meu anjo, fica tranquila. Não se preocupa, que você não vai pagar mais do que o justo. Até mesmo porque, o dinheiro é o que menos me interessa agora. O que importa no momento, é a sua compania.

É, meu amigo-leitor, Ronisvaldo era guerreiro e não desistia nunca!

- Você é sempre tão carente assim com seus passageiros?

- Não, meu anjo, não é carência, e claro que não sou assim. Nem posso ser, mas não é todo dia que entra no meu taxi uma mulher tão atraente. Você me atraiu mesmo.

Neste momento, eu já estava rindo. Não tinha como! Era muito absurdo. E já que estava absurdo, podia piorar mais um pouco, não é? Ele começou a me descrever com detalhes, as séries de musculação dele. Como ele tinha facilidade para pegar músculo. E mandou um: "Posso ser seu personal trainner, se quiser." no meio da narrativa esportiva. No entanto, obviamente era mentira, que ele mesmo concluiu com:

- Por você, viro o que você quiser!

Entregou-me seu cartão, e ao ser perguntado se ele ficava em minha região, tive que ouvi-lo responder:

- Eu fico na sua porta, meu anjo, assim que você me chamar, eu vou estar na sua porta te esperando.

Perguntou? Toma, tem resposta.

Finalmente, chegamos ao meu destino. Ele reforçou ainda o pedido para ligar para ele sempre que eu precisasse de "qualquer" coisa. Que claramente, se implicava em além das habilidades taxista dele.

- Não esquece Aline, se precisar me chama. Vou estar na porta da sua casa, com uma bandeja cheia de bala de gengibre te esperando.

Balas de gengibre... Mereço?

O pior que essa semana peguei um que me chamou para um pagode... Mas bom, isso seria outra história...


PS: Não denunciei o Ronisvaldo para a cia de taxi com a minha gravação e nem penso fazer, afinal, ele me rendeu um post, e isso tem lá sua valia...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

HOMENS, E A FALTA DE DINHEIRO

Péricles Januário queria muito que Moni-Cleide entendesse sua condição financeira atual. Queria muito que compreendesse que seu humor, ou melhor, seu mau humor era obviamente explicado por isso. E bastaria a ela, então, ficar quetinha e principalmente, sem gastar!

Porque para o homem, tudo perde a graça quando ele está sem dinheiro, com excessão do sexo, claro. E do futebol. Futebol acima de tudo, salve, salve. Mas o resto? O resto fica preto e branco. Fica insignificante. E isto inclui suas mulheres. Ao menos, que elas queiram fazer sexo. Já disse isto, não é?

Então, por que raios a Moni-Cleide não entendia que o remédio para o problema era apenas fechar a boca e a carteira? Carteira dele! Mas não... Lá vinha ela, falando. Falando sobre os gastos do dia.

- Pequinho, (Abreviatura carinhosa de Péricles de um jeito mais fácil e bonitinho. Enfim, tenho certeza que vocês já tinham entendido isto, antes mesmo que explicasse.) tava incrível! – disse ela toda excitada.

- O que estava incrível Moni-Cleide? – ele se arrependeria da pergunta, não tinha a menor dúvida.

- A promoção da Marisa! IN – CRI – VEL ! Uma saruel incrível por R$ 29,90, acredita!?

Péricles Januario respirou fundo, umas três vezes para ser mais precisa. Porque precisaria ir por partes. Passou lentamente a mão no rosto, na busca vã de controlar o nervosismo. Ele teria que enumerar as questões:

1 – Quantas vezes ele teria que ouvir a palavra incrível no mesmo dialogo em menos de dez minutos?
2 – Por que ela gastou, se ela SABE que estão em contenções de gastos!?
3 – Que raios é uma saruel????
4 – A última não era uma pergunta. Apenas uma constatação. Ele odiava a Marisa.

- Moni-Cleide... – ele queria não alterar o tom de voz, porque de verdade não queria magoá-la, mas ela PRECISAVA entender a situação.

- Ah mas você não sabe, o mais incrível-mara!! – ele respirou fundo, pelo menos agora, é “incrível-mara”. – Adivinha? Os Sneakers! Estão num preço muito melhor que em qualquer outro lugar.

- Moni-Cleide! Você não sabe que não estamos podendo gastar!? Qual é o problema, eu não acredito que você comprou essa tal saruel e mais um… um… Bom, se Sneakers não for o nome de um chocolate barato, é bom você nem me falar o que é!

- Como você ta grosso, Pericles Januario. Claro que Sneakers não é um chocolate, é um tênis com salto. Ultimo grito da moda!

- Grito, eu tenho vontade de dar com você!

- Amorex, eu já disse, estava na promoção…

- Incrivel! Eu ja sei Moni-Cleide.

- Sim! Isso! Fica tranqüilo, parcelei, nem vai sentir.

- Ta, nem quero mais falar nisso. Chega.

- Melhor, porque é uma bobagem. Vamos pedir pizza?

Péricles Januario arregalou os olhos e quase não pode crer no que ouvia. Não tinha jeito, as mulheres nunca entenderiam. Nunca! Sexo, aposto, que agora ela não queria fazer...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MEU ATÉ BREVE A PATRICIA MIRANDA.


Hoje é o dia que uma grande amiga se despede da Cabana (para quem não sabe, é a minha casa)... Foram dois anos de companherismo e amizade... E por isso, hoje, é um dia de silêncio por aqui.

Não haverá mais a voz alta com o sotaque arretado por todos os lados da casa. Não haverá mais o sorriso largo e o cheiro de comida forte na cozinha. Não haverá mais nada dela por aqui, alem de lembranças.

Hoje, é um dia triste por aqui. Porque ela me fará muita falta... Houve tantas as vezes que eu desabafava com ela, falava, falava e depois dela muito me ouvir, ela dizia: “Não sei o que te dizer.” E isso me confortava. Sua sinceridade. Sua simplicidade. E o mais importante, sua companhia. Que por mais que não tivesse o que me falar, ela estava ali do meu lado se preocupando.

A minha amiga é do tipo que faz tudo por você, sem que você peça. Te traz pequenos presentes que fazem toda diferença! É observadora em saber o que você precisa e sem que você espere, ela aparece com aquilo. E naquele momento aquela pequena coisa, vale muito mais que os poucos reais que realmente custou. Aquele gesto valia ouro.

Ela foi um dos maiores exemplos de vida que eu tive até hoje, porque as dificuldades no seu caminho foram inúmeras, mas ainda assim, eu nunca vi uma reclamação séria sair da sua boca. Eu nunca vi ela desdenhar da vida ou perder o sorriso. Com ela em minha vida, eu passei a pensar duas vezes antes de reclamar de algo. Pois, se ela apesar de tudo ainda sorri lindamente, quem sou eu para fechar a minha cara?

E agora, bem agora, há poucas horas de vê-la partir que estou me dando conta, que a importância de tê-la por perto é tão maior para mim do que eu imaginava. Que o amor que tenho por ela, é de como alguém de minha família. E agora também, me sinto um tanto quanto arrependida de não ter lhe dito isso mais vezes...

Ela, como parece, não vai se mudar para outro planeta. Ou para algum buraco negro que eu nunca mais vá vê-la... Mas digamos que vai para relativamente longe. Vai também, por um bom motivo, por um motivo de alegria, que me deixa por este lado muito feliz. Ela vai para junto da sua família de sangue, para junto de sua filha que tanto precisa dela nesta fase tão gostosa... Ela vai para um bem maior. E são por esses motivos que vou conter minhas lágrimas (se assim eu conseguir...).

Amiga, eu sei que isso é apenas um até breve. Que quando “dermos fé” estaremos juntas novamente. Em poucos meses segundo você, não é mesmo? Obrigada por tudo. Por todas as risadas. Por todas as vezes que me alimentou. Por tantas as vezes que me presentiou. Por cada vez que me acompanhou. Por sempre que esteve comigo. Por cada balada. Por cada palavra. Obrigada pelas roupas emprestadas. E objetos também. Obrigada por uma das viagens mais especiais da minha vida. Obrigada pelo carinho dos seus pais comigo. Obrigada por tanta coisa, que por mais que passasse horas falando, eu não saberia dizer o suficiente!

Vai amiga, e vai com o coração limpo que você está fazendo o certo. Que estes cuidados que você com tanto amor me dispensa, tem uma pessoinha que precisa tanto disto por lá. Vai amiga, vai para junto de pessoas que te querem bem. Mas vai com a certeza, que aqui em São Paulo você deixa uma família que muito te ama também e que sentirá muitas saudades. Eu sentirei.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O MELHOR AMIGO DO HOMEM

Para você ver como são as coisas. O que são 15 anos para você? O que cabe em 15 anos? Quantos acontecimentos? Quanto sentimento? Quanto vale 15 anos da sua vida? Fez diferença para você os últimos 15 anos? As pessoas que estiveram ao seu lado por estes anos fizeram a diferença?

Enfim, é aí que vocês se perguntam, mas para que tantas questões sobre os últimos 15 anos Li de Oliveira? Sentem-se confortavelmente, pois, vou lhes explicar...

Era uma tarde como qualquer outra. Dia de branco como costumam dizer por aí . Onde Mariane (a minha amiga, sem nomes fictícios, pois, esta história é bem real) trabalhava tranquilamente. Até receber um telefonema. Sua filha ligou para contar que haviam abandonado um Pastor Alemão na sua porta, o acorrentaram ao seu portão. Com ração, dois potes: um de água e um de comida e a coleira. Deixando bem claro que foi um abandono planejado.

O cachorro estava com uma aparência horrível. Pelos revoltos. Cabisbaixo. Não se levantava. Nem a cabeça, para ser mais precisa, ele tinha forças para levantar. Era completamente inanimado. Olhos opacos.

E as questões eram muitas para tal fato. Por que o abandonaram? Estava doente? Quem tinha feito isso? Por que na porta dela? Era um tanto quanto infindáveis os por quês.
Mariane era dona de mais 03 cachorros, 02 gatos e alguns muitos peixes. Seria, por isso, que a pessoa que o abandonou a escolheu? Porque achou que ela ama aos seus animais e poderia facilmente cuidar de mais um?

Naquela noite mesmo, Mari, seu marido Alexandre e sua filha Bruna já prestaram todos os socorros ao alcance deles. E, assim que possivel, na manhã seguinte levaram a veterinária Dra Karina, que os atendeu de prontidão sem cobrar a consulta. A princípio, o cachorro, não tinha nada além de uma inflamação na coluna que o impedia de se levantar. Mas quem diria isto melhor seriam os exames todos que a doutora pediu.

A doutora Karina também definiu que ele já tinha uns 15 anos. Agora imagine vocês, principalmente quem tem um bicho de estimação. Estar 15 anos ao lado dele, não o faz alguém da família? Imagina conviver todos estes anos com alguém, criar um laço afetivo, forte, suponho eu, pelo tempo e então... isto. Assim que ficou velinho e doente, facilmente o abandonou a porta de um qualquer desconhecido e para esta pessoa tudo estava resolvido. Você faria isto com um familiar?

Charles, sim agora já com um nome, foi medicado devidamente, os exames não acusaram nada além da inflamação da coluna e se encontra em plena recuperação. Hoje, ele está no Horto Florestal na Zona Norte de SP, a espera de uma novo e verdadeiro lar. Alguém que cuide dele, como um ser tão especial que merece ser cuidado e que, principalmente, não o abandone no primeiro obstáculo.

Charles, lá no Horto, também ganhou um sobrenome. Agora ele se chama Charles Campeão! Campeão, porque está superando o desamor sofrido, o abandono planejado e está vencendo. E está também, a sua espera. Se você tiver interesse, ou souber, de alguém que queira o Charles como companheiro, por favor, me escrevam: li.deoliveira@gmail.com. Ajude-me a divulgar e encontrar um lar de amor para nosso novo amigo Charles Campeão!


quarta-feira, 13 de abril de 2011

MEUS TOMBOS, AS MINHAS VITÓRIAS

A vida nem sempre pode lhe oferecer flores. E nem sempre também você sentirá vontade de aplicar nesses momentos mais difíceis toda aquela conversa de superação. Mas aí então, é uma opção que só cabe a você o sofrimento da conseqüência.

Em muitas das vezes - para não querer ser tão “80” e dizer que todas as vezes - o sofrimento nos ensina. É o nosso grande professor. Eu aprendo com ele, all the time. Todos os dias, se você reparar, recebemos pequenas rasteiras. Seja do seu banco que cobrou uma taxa inesperada. Do seu sindico que surgiu com alguma reclamação. Do seu pai, esposa ou parente que lhe disse algo que desceu atravessado. Enfim, todos os dias você passa por algo que não te faz bem.

Mas será que não te faz bem mesmo? Ou te faz mais forte? Ou te faz mais preparado para vida? Porque só erra duas vezes quem está com preguiça de aprender. E as vezes também, os aprendizados vão ser duros, cruéis até, só que você não recebe a mais do que pode suportar. Você é bem mais do que imagina, e quando se der conta disto, verá que sua história até ali já conquistou o nome de ORGULHO.

Problemas todos temos, um em maiores proporções, outros em bem menores, mas a única coisa que basta é sabermos que todos, sem uma exceção sequer, tem resolução. Hoje, vemos tragédias pelas mídias... Tsunamis quem diria? Pessoas que perderam tudo, casa, família e valores. Mas não perderam suas identidades. Elas sabem bem quem são e o que passaram. E mais do que nunca sabem a valia de recomeçar. Que tamanho tem seu problema perto disto?

Eu sei que muitas vezes você se cansou das vozes. Amigos experientes. Família cautelosa. Livros de auto – ajuda. Regras. Modas. Muitas vezes você quis fazer do seu problema, um problemão. Bem maior que ele realmente é. Mas sinto em te dizer, que até essa sua carência, passa. Esquece-se. Supera-se. Querer colo é normal. Mas querer isso o tempo todo é desespero.

Sendo assim, hoje agradeço por cada cicatriz que carrego na alma. Elas são minha personalidade. Agradeço cada lágrima passada que hoje construiu meu sorriso. Agradeço cada pedra no caminho, que me fez desviar o caminho e não seguir uma linha reta limitada. Agradeço a cada pessoa que falou mal de mim e me deu a chance (a mim mesma) de provar o contrario. Hoje agradeço por saber fazer do negativo o que há de mais positivo em mim.

Porque se a vida fosse só flores, hoje, eu não seria feliz. Seria apenas mimada.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O QUE VOCÊ FARIA?

Cleide Carmen e Jhoni Tadeu viam TV deitados na cama entristecidos pelos últimos acontecimentos noticiados. Parecia mesmo o fim dos tempos. Era como o apocalipse que tanto ouviam desde outrora.

- Jô-Jô o mundo está acabando... – ela disse lamuriosa.

- Que nada docinho, é uma fatalidade, mas nada quer dizer com o fim do mundo.

- Será? Estamos tão próximos de 2012, que fico realmente temerosa.

- Ah pronto. Agora um filminho besta dita as regras do mundo, do universo.

- Todo filme é baseado em algo.

- Ah claro que é. Sherek existe mesmo, não sabia? Alias, poderíamos aproveitar as férias de julho antes que o mundo acabe, e irmos para o Reino Tão Tão Distante. Já que todo filme é baseado em uma realidade.

Ela preferiu ignorar a ironia dele. O assunto era sério demais para criarem mais uma discussão naquele momento.

- E o que você vai querer fazer quando tiver a certeza que o mundo irá acabar Jô-Jô?

- O mundo não vai acabar. – ele falou entre os dentes cerrados.

- Ta Jhoni, supondo que o mundo irá acabar. O que você faria?

- “O que você faria se só te restasse esse dia? Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria...” – Jhoni Tadeu cantarolou a velha musica de Lenine.

- Fala!!

- “Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

- Não fala isso!

- Isso o que?

- “Trepava”, palavra horrível!

- Mas não fui eu que disse! Foi Lenine! E outra coisa, se o mundo fosse acabar… Eu ia querer trepar. Pronto, ta aí.

- Que nojo!

- Ah vá. Por que, voce se o mundo acabar vai querer virar freira e ficar rezando ate o final?

- Virar freira não né? Mas sei la, eu acho que iria de encontro com minha família…

- Ah sim, e chorar ate o ultimo momento, da tristeza de vê-los morrerem. Bem inteligente.

- Poxa é mesmo né? Verdade. Acho que então pegaria o cartão de credito e ia as compras!

- Muito bem, fico impressionado como voce pensa com bastante cuidado no que ira fazer por ultimo na sua vida… Ate mesmo porque os shopping’s estarão abertos e cheios de pessoas trabalhando felizes da vida para vender para voce, passar o seu cartão no final do mundo. Imagina só? Era exatamente ali que eles iriam querer estar.

- Não tinha pensado nisso…

- Ohh serio?

- Poxa Jhoni, sera que voce pode pelo menos ser um pouco amoroso no final dos tempos? – Cleide Carmen falou magoada.

- O MUNDO NÃO VAI ACABAR !!!!! – suplicou ele desesperado.

- Nostradamus disse que sim!

- E quem é Nostradamus pelo amor de Deus??? Esse fulano ai disse: “Mil passará, mas dois mil não passará. “ E olha a gente aqui, 2011.

- Mas vai ver que ele não quis dizer 2000 com precisão. Você pelo menos vai querer estar comigo no fim dos tempos?

- Se voce prometer ficar bem louca comigo com uns birinights e curtir os ultimos momentos de vida numa boa, bora ae!

- Impossivel conversar serio com voce! Vou dormir. Vê se desliga a televisão quando for fazer o mesmo.

Ele ficou observando-a se ajeitar irritada na cama para dormir. Socar o travisseiro para afofá-lo, depois virar de costa e empinar a bunda para trás num aviso prévio que ele deveria manter distancia. E mesmo com todos os sinais aparentes que ele devia cessar a conversa por ali, ele ainda arriscou:

- Mas eu to falando sério, ta?

A única resposta que teve foi ouvi-la bufar e depois silêncio...

quarta-feira, 2 de março de 2011

UMA REVOLTA FEMININA

Estou ficando preocupada comigo, psicologicamente falando. Estou de verdade cada dia mais apreensiva com meu nível de exigência. Estou aguardando por um príncipe encantado que não existe. E como eu sei que ele não existe, me abstenho dos outros. Outros plebeus ralés.

Quando vejo o atual comportamento da MAIORIA (maioria, maioria, MAIORIAAAA, ta bem claro?) dos homens, desanimo e penso em convento. De verdade. Ta é mentira, não penso em convento, mas penso em desistir de procurar ter a vida cor de rosa que meu livro de Ciências sociais dizia que eu deveria ter... (Sim, sou do tempo de “Ciências Sociais” e dai?), aquela historinha que o ser humano nasce, cresce, casa, se reproduz e morre. E pra fazer isso Sr. Livro? Tava é de brincadeira com minha cara, só pode!

Eu tenho o poder de achar defeito em todos os homens a minha volta. DEFEITOS em Caps lock. (eu sou do tempo de Ciências Sociais, mas também tenho tiradas moderninhas ta?). E isso que me preocupa. Eu estou míope para qualidades. Onde me curo?

Por exemplo, um cara que escreve errado é broxante! Vem me dizer que eu sou “limda” , “não fas acim que eu fico louco”. AHHHHHHH VA! “Acim” de C.. bom. Deixa pra lá. Mas não consigo relaxar (COM X!) e passar (COM DOIS “S”) por cima desse detalhe. É irritante!

Homens que usam apelidos genéricos para todas as mulheres do mundo. Eu tenho nome ta? Chame-me por ele, ok? Não vem com lindinha, flor, gata (principalmente GATA), pequena, amor (Amor é uma porra! Viva mais três encarnações antes de falar “amor” em vão.), meu doce (nessas horas tenho vontade de ser diabética.). Enfim, genéricos. Odeio. Cada um. Sei lá se isso é por falta de memória de lembrar todas as mulheres que eles TENTAM ficar ou é por preguiça mesmo.

Já repararam que os homens estão com sua ceninha ensaiadas? Antes de ficar te deixam recados, mandam sms carinhosos, vão aonde você provavelmente estará e depois que conseguem o que querem. Puft. Que nem Mister M revelaria a mágica do sumiço. Homens, por favor, me expliquem! Não subestimem minha inteligência, tenho total capacidade de entender porque fazem isso, se vocês me explicarem! As mulheres tem mau hálito ultimamente? Os desodorantes andam vencidos?? Eu juro, eu preciso de um porquê! O que há de errado com um segundo encontro?

Várias coisas me tiram o tesão de um homem. Conversar pouco. Conversar muito. Pouco ciúme. Muito ciúme. Voz fina ou estranha. Meias pretas esticadas até a canela e bermuda. Vídeo game demasiado. Time de futebol demasiado. Cerveja demasiada. Gosto musical duvidoso. Hábitos de moleque demasiado. Piadas em 100% do tempo. Mau humor em 98% do tempo. Brincadeiras repetitivas. Demora para responder no MSN. Submissão. Falta de atitude. Falta de opinião. Cobranças insistentes. Incapacidade de pedir informação. Não responder SMS. Achar que é a ultima bolacha do pacote. Falar frases prontas. Posso ficar ate amanhã falando?

To falando por mim, por varias amigas e pela novela Insensato Coração. Morte ao personagem do Lazaro Ramos! Morte a todos os homens irritantes da face da Terra. Vou ali na praça queimar sutiãs e não me esperem voltar. (e ainda vou cantando bem alto: “Será que o príncipe virou um sapo que vive dando no meu saco...”).

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O MONSTRO VERDE

O casamento estava friozinho. Sabe? Aqueles momentos da vida que você arruma nomes para as crises. “Ah estamos na crise de um ano.” , “Estamos na crise da meia idade.” , “Estamos na crise dos 3 anos, 4 meses e 2 dias.”. Mas crises, não se justificam, apenas acontecem. E em geral, por inúmeros motivos e não pelo tempo de relação.

Luciana Andréia era mulher né? Então já se pode entender que era complicada, chatinha, sensível demais, especuladora demais, controladora demais e bla bla bla. Aposto que você, mulher, riu. Sim você também é assim. Aposto também que você, homem, agora riu também. Porque sim, eu sou mulher e sei admitir que somos assim. Umas em maiores proporções ou outras em menores. Luciana Andréia tava com o pé bem forte no “maiores”.

Ela tinha criado diversos probleminhas em relação a Rodolfo Lucio, tomou cada um deles como verdade irrefutável e colocou como pedra no caminho. Não dava mais para seguir. Enquanto isso, Rodolfo Lucio, corria de manhã, ia ao trabalho no horário comercial, chegava em casa cozinhava algo, estudava para sua pós, via TV e dormia. Vida normal. Nada de errado. Do que poderia ele reclamar?

A verdade era que: Ele não percebia! Não percebia o monstro verde que crescia entre eles. Monstro que Luciana Andréia havia criado. Monstro de gelatina. Mole. Fácil de destruir. Isso se ele percebesse o que estava acontecendo. A vida para Rodolfo Lucio era tão simples, que chegava ser complicada de entender. A vida dela por sua vez, era tão complicada, tão complicada, que era muito simples de perceber que era apenas tempestade em copo d’agua.

Mas como um casal moderno, eles seguiam. Com seus compromissos jovens. Festa na casa dos amigos. Open Houses. Open Bar. E tudo se abria, menos a relação dos dois. Tava na cara, no olhar deles, o quanto eram apaixonados. Mas insistiam em levar o monstro verde por onde fossem. Publicamente se criticavam. (E tenho que ser justa ao falar, que geralmente partia dela, bom mulher, lembra?). Mas mesmo assim, no fim das “pequenas discussões” ainda riam feito crianças travessas. E os que em volta viam, pensavam: “como eles são lindos sorrindo.”.

O casamento provavelmente nunca acabaria, ou tão cedo acabaria. Mas de verdade a torcida era para que colocassem o Monstro verde de fora da história. Que fossem mais os dois e menos os terceiros. Que fossem mais sexo e um pouco menos de conversa. Que fossem mais sintonia e menos interferências. Porque juntos ficavam lindos. Aqueles casais que uma separação não quebraria só os corações deles, mas de todos que os rodeiam.

E então, no meio de tudo, em um dia qualquer, um jantar qualquer, vem o papo:

- Acho linda a Talula do BBB, eu pegava! – Comenta uma amiga mais “doidinha”.

- Eu acho a Maria, eu pegava também. – emenda a Luciana Andréia.

Os olhos de Rodolfo Lucio brilharam.

- Ta falando sério amor?? Pegaria mesmo?

Ela riu relaxada, e num silêncio só deles perceberam o quanto se amavam. O quanto o elemento “surpresa” ainda estavam com eles e quantas vezes mais eles poderiam se apaixonar novamente. A cada ato, a cada palavra, a cada olhar... E o Monstro verde? Faz parte, mas que continue assim, apenas um pequeno aparte desta história, porque o protagonista, ainda era ele: O Sr. Amor.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

NO EMBALO PARA 2011

Nesta história eu vou me chamar Amanda Claire ("eu" de eu mesma, como uma personagem só para fazer uma graça e não fugir do padrão.). E minha história, ou melhor, a história da Amanda Claire é um tanto quanto comum. Mas é a vida dela, e logo, para ela, especial.

Amanda Claire estava repensando em seu ano. Ano que voou. Parecia que 2010 tinha acontecido em 3 meses. Ficou impressionada por ser ver a poucos dias do final. E este ano que findava havia sido realmente bom para ela.

Não, ela não havia se casado, como sua mãe sempre desejou. Ou comprado um apartamento com muitas pessoas a sua voltam insistiam que ela tinha que o fazer. Mas este ano, ela havia sido mais livre. Foi mais madura nas decisões. Mais consciente nos seus planejamentos e mais certa de seu caminho.

Em 2010 Amanda Claire mudou de emprego. O que foi extramente gratificante a ela. E o que ela achava que trabalhava muito, mudou para trabalhar absurdamente mais. Mas o que importava, se ela fazia o que gostava? Alias, amava. E por todos os lados ela estava se sentindo compensada?

Neste ano tambem ela se livrou de algo. Uma amarra do passado que lhe fazia mal. Libertou sua alma disto e hoje caminha mais leve pela vida. Talvez um pouco mais triste, mais sem esperança. Mas isso, é algo que o Sr. Tempo há de recuperar para ela. E no fim, o acontecido tornou-se bom. Muito bom!

Amanda Claire recuperou amizades do passado. Viajou para lugares bonitos. Conviveu com pessoas que ama. Viu sua mãe mais vezes do que o costume. Dividiu com seu pai todos os momentos por qual passou. Cozinhou para quem a quer bem. Conheceu pessoas novas e descobriu carinho por elas. "Re"conheceu pessoas proximas, e descobriu nelas deliciosas amizades. Quase perdeu uma amizade que é muito especial, mas recuperou a tempo.

Este ano Amanda Claire começou tambem a criar o seu mundo exclusivo. A montar um "universo" exatamente como lhe agrada e ficou muito feliz quando viu que tudo conspirava a favor. Ao que tudo indicava ela escolheu mesmo o momento certo para transformar tudo. E a energia renovada só lhe trouxe felicidade!

Em 2010, era bem verdade, que Amanda Claire havia tirado férias do amor. E até mesmo desacreditado um pouco dele. Mas nem isso tinha sido ruim para ela. Aprendeu a se gostar mais. Comprovou o que sempre soube, que se vira muito bem sozinha. Talvez no ano que vem ela se de uma nova chance, mas enquanto isso não acontecia, ela ia continuar descobrindo o amor por si própria.

Portanto, ela só tinha a agradecer a tudo que havia passado!

O novo ano, de 2011, estava aí batendo a sua porta e com uma promessa fantástica de dar continuidade a tudo que vinha acontecendo. Amanda Claire iria fazer por onde. Afinal, em 2011 ela virará balzaquiana e isso haverá de ser especial não é? Nos vemos, então, ano que vem para contar as aventuras de uma mulher de 30. (Mas não ache que voce escapará de virar história também. Como eu dizem por aí, aconteceu, virou manchete. rs).

To de malas prontas, 2011, aí vamos nós. Até!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

MAS O GATO – TO…

Um casamento. Um casal. Dois gatos. Ou mais ou menos isto. Ou quase isto. Ou era para ser isto, mas na verdade, deixou de ser.

O casal era recente, se conheceram na faculdade, entre festas, amigos e provas. Encontraram afinidades e resolveram namorar. Encontraram pedras no caminho e se separaram. Mas voltaram. Uma nova briga, nova separação e nova reconciliação.

Um dia ele jurou que seria a ultima volta. Ela, por sua vez, pressentiu isto e mudou. Milagrosamente se tornou uma nova mulher. Para o espaço as inseguranças. As favas o ciúme. Ah o amor, o tão doce amor. Era só isto que restava nela. Amor e muitas felicidades pela frente! Será?

Ele imaginou que então era esse o momento da vida que se desistia da bicicleta e partia para o casamento. Ficou animado com a idéia. Aproveitou que ela já tinha apartamento próprio e já começou a orçar a reforma para que tornasse o lar deles. Foram as lojas e providenciaram moveis novos. Providenciaram também a festa de noivado. Família! Amigos próximos! Cerveja!

E tudo tinha o script para uma historia feliz de um romance normal... Já tínhamos o “casamento” , já tínhamos o “casal” mas agora íamos para os “dois gatos”. Era onde o apcie do principio do fim se daria.

Ele, em um dia corriqueiro, havia ido para o apartamento ate então só dela, para aguardar o pintor que iria fazer um orçamento. Aproveitou o tempo ocioso de espera para arrumar seu futuro lar. Rodo, desinfetante e aspirador lhe fizeram Cia por um tempo. Quando tudo estava brilhando e cheiroso, ele aproveitou para tomar um banho, logo em seguida ia fazer o pedido de uma comida delivery para a sua futura esposa e esperá-la com tudo pronto, apenas para que ela desfrutasse. A intenção era boa, certo? Calma, pois, ainda não falei dos gatos.

Nesse meio tempo em que ele saia do banho, pedia a comida delivery, e aguardava sua noiva que estava a caminho, os gatos se instalaram no quarto (debaixo da cama para ser mais precisa). Quarto limpo! Sem nenhum pelo. Quando ele se deparou com os bichanos, quis enxotá-los não por maldade, mas pela limpeza que ele havia feito com tanto cuidado. E pela surpresa que ele queria fazer a noiva. Tentou dar um comando só com a voz e recebeu um olhar de “nemteligo”. Tentou puxá-los com a mão, recebeu um arranhão como resposta. Pegou o rodo e enxotou sem nem mesmo encostar e nada... Ele resolveu levantar o Box da cama neste momento para finalmente pega-los, neste momento uns dos gatos saiu correndo sob um safanão e neste “pegapacapá” o Box escorregou e caiu, prensando o segundo gato. Ele assustou puxou correndo o Box da cama para cima e o gato saiu de La com suas seis vidas dando um miado estridente. Vivo enfim.

Na mesma noite, a sua noiva o questionou sobre o gato, se algo havia acontecido. Ele preferiu engolir a historia para si e omiti-la. Mas na manhã seguinte, ela novamente o pressionou, informando-o que o gato estava com a barriga roxa. Foi quando ele sem muita opção derramou a verdadeira historia.

Para sua surpresa, foi atacado furiosamente por sua noiva. Chutes, socos e ponta-pés foram dados aos montes. Ele apenas se defendeu dos golpes. O “bafão” estava feito. Os vizinhos ouviram os gritos, os mais intrometidos chamaram a policia. No local a policia o encontrou todo machucado e encontrou também a recusa dela, de descer. O caso foi mais ou menos esclarecido. E ao final veio o conselho do policial: “ Vou te dar um conselho, não de policial, mas de homem sobre essa mulher: VAZA!” .

Ele entendeu bem o conselho. Acabou-se o casamento. Acabou-se também toda a esperança. Ela o denunciou a assossiação protetora dos animais. Isto custou R$ 500,00. Os moveis por sorte deu tempo de cancelar. O pintor, por bem, nem havia chegado a ir. Por um tempo foi motivo de chacota: “Hey amigo, sua mãe cantava muito atirei o pau no gato para você?”. Mas ia passar. Ele sabia.

Semana passada precisou voar a trabalho, ao seu lado no avião sentou-se uma mulher bonita, bom papo. Afinidades. Foi quando ela comentou: “Estou preocupada com minhas filhas.” Ele a questionou sobre as crianças quando ela na verdade esclareceu que eram apenas suas duas gatas. Neste momento ele desejou fortemente que existisse um botão de dar sinal, pois, queria desesperadamente descer no “próximo ponto.”

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MÃE, VOU MORRER SOLTEIRA

Mãe, desculpa, vou morrer solteira. Sim, bem desse jeito direto. Ah vá, não tenho paciencia não Cristo. A menor, pra ser mais precisa. Sou cercada de histórias de relacionamentos e cada uma delas me roubam um pouco mais da minha paciencia.

Minha amiga acaba de me contar uma historinha. Esta paquerando um cara na internet. Frescura pra cá. Frescura pra lá. Nhem nhem aqui e ali. (Só isso me faz bufar de impaciencia!) Mas é então que a historia piora. Por esses dias uma amiga do dito cujo adicionou ela, dizendo que ela tinha o jeito de ser gente boa. Ah tá, baby e eu nasci ontem! Quero ver cristo descer na terra (se é que ele ta lá em cima, quem garante? Pode estar ao lado... ou sei la onde) e me convencer que essa garota não tá é caçando assunto! Ta é querendo saber quem é, minha amiga, é porque ta se sentindo ameaçada. Vai saber se com a mesma frescura que ele adoça uma, ele não tá confeitando o bolo da outra? Valha-me , to é correndo dessas confusões.

Tem um outro casal de amigos, que minha amiga reza, o marido diz amem. Minha amiga anda. O marido anda. Minha amiga vai na esquina, o marido faz o que? Nem vou responder... Não precisa ser muito inteligente pra deduzir o que acontece... Agora me fala, ve se eu tenho idade para brincar de macaco mandou? Não tenho não, meu querido, mas não tenho é mesmo!

Acontece também os famosos casos de monitoramento. Minha amiga chega no escritorio liga pro namorado: "Xu, cheguei no trabalho." Vai para o almoço: "Xu, to saindo pro almoço, vou comer macarrão" Só o "Xu" ja é o suficiente para me impacientar, falar o que ta fazendo me faz desejar tomar cianureto com coca cola. O que muda na vida do ser humano que tá longe (!!!) saber cada dez passos dela! Namorada GPS. "A quinhentos metros, eu virei a esquerda".

Quem não tem amigo que fica chato quando começa namorar? \o Eu! \o Eu tenho! Eu tenho e não tenho a menor paciencia de disfarçar que O D E I O quando ele esta namorando. Convida-o para fazer uma coisa... "Ah não posso combinei com a bonitinha que vamos no parque..." PQP, com o perdão do palavrão. O que tem tanto na porcaria do parque pra ver, que isso é todo o final de semana? Ahhh o mesmo verde... ahh os mesmos passaros... O mesmo lago... Tudo tão tão.... O MESMO porra! Cansa não??? Eu heim.

E as cantadas de balada? Para essas a minha paciencia se acabou de vez. Nem a minina eu tenho, ja era mesmo. Chego ir de aliança para balada para que não me encham o saco. Faço a maior cara de mau para que não cheguem perto. E digo logo que sou lesbica para os que ainda se atrevem a me dirigir a palavra. Agora me diz se dá para ter paciencia quando alguem vem e te diz: "Seu nome é Tamara? Por quê você Tamaravilhosa, heim!"

É por essas e por outras que não vai dar não. Ahhhhhhh não! Passem na minha proxima encarnação e tentem de novo. Porque nessa, mãe me desculpa mesmo, mas eu vou morrer solteira!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

AMIGOS PARA UMA VIDA TODA

Eu ia escrever um texto triste hoje. Sem nomes compostos. Sem trocadilhos. Ia escrever sobre uma fase estranha. Esses pontos cruciais da vida que voce não tem como fugir do mal. Mas foi então, por acaso, e ao mesmo tempo que estou aqui trocando emails com amigos. E me dei conta que tudo pode não ser flores, mas que há no caminho pessoas que fazem tudo ser mais facil de enfrentar por seus apoios.
São velhos amigos de longa a data. De tantos anos que mal me lembro quando foi o nosso "primeiro ano".

Mas me lembro bem a primeira vez que vi a Ju Garcia, Menina, Roxinha... Estavamos na rodoviaria do Tiete pronta a comprar a passagem de nossa primeira viagem. Vi logo o sorriso facil. Vi de cara a simpatia e amizade de alma.

Assim como me lembro muito bem a primeira vez que vi o Chico... Na calçada da Cardeal Arco Verde, eu o olhei e não tive duvidas ao dizer: "Chico? Eu sou a Li!". A mesma Li que vou ser pro resto da vida dele. Os mesmos olhares verdadeiros que se cruzaram desde a primeira vez...

E nesse mesmo dia, muito em seguida vieram Lena, Karina, Igor, Mari, Cryz, Romulo... Veio até o Sebas, o nosso amigo argentino, mas este neste dia apenas por telefone. A Judy veio pouquinho antes deste dia... Justamente porque não poderia estar nesta festa (diga-se de passagem o meu aniversario) . Um pouco tempo depois se agregaram Ronaldo e Fabio.

São essas as pessoas que me trouxeram a vida de volta. Que literalmente pintaram o meu mundo de colorido. São dessas amizades que podem se mudar de país ou estado como já aconteceu com o Romulo. Que podem se casarem ou separarem, como foi o caso do Chico e do Sebas... Que podem se enlouquecerem com o tempo querendo fazer mil coisas como é com a Ka e a Mari... Que mesmo com qualquer rumo que tome a vida, eu vou os levar comigo.

Levo cada mensagem especial em datas importantes que recebo do Cryz. Levo cada conversa de msn que a Lena tem comigo off line, escondidinha mas sempre pronta para me dizer que não se esquece de mim. Levo cada jantar com a Karina. Cada garrafa bebida com o Fabio. Levo cada desabafo contado pela Judy. Cada peça estranha que vejo com a Mari. Cada sessão de filme que tenho com o Chico. Levo cada conversa longa com o Sebas sobre o amor. Levo a sempre tão divertida "troca de gentilezas" com o Ronaldo. Levo do Igor... Do Igor... Ai, posso pensar?

Pois então, ja é repetitivo e lugar comum dizer que amo cada um em sua particulariedade. Que amo cada detalhe da nossa história e que voces SÃO a minha história. As pessoas com quem eu velinha vou estar junto.

Por isso, se sou eu a mãe desta brincadeira toda, eu to mandando que voces jamais esqueçam uns aos outros, porque amizades que resistem a tudo não são todas as pessoas que encontram, só os abençoados Obrigada por isso por me tornarem alguém abençoada!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

CLIKA - ME!

Kathe Jessica achou que tinha encontrado a solução para sua vida. Que sua vida se dividiria antes e depois daquele site de relacionamento. Solidão nunca mais. Aos romances vida longa! (Coisas de gente encalhada sabe? Desiludida e tal)

De repente se sentiu bonita (É daquele jeito, fotos com photoshop, closes rosto que escondem "aquela" barriga...). Melhor, se sentiu a ultima chocolícia (sabe a bolacha boa "bagarai"?) do pacote. Começaram aparecer milhões de rapazes interessados nela! ( Ou intessados em sexo. Ou interessados em tirar uma onda... Ou foda-se. Quem se importa?? Quick Massage no ego também era bem vinda, obrigada!)

O que importava que neste momento todo mundo era lindo. Todo mundo morava bem e todo mundo era próspero. ( Porque realmente Kathe Jessica nunca tinha visto nesse site alguém morar mal. Nunca tinha visto ninguém desempregado. Pai de quatro filhos.) Só via playboys viris. E o que ela poderia querer mais?

Todas as conversas tinham como finalidade o casamento, ficar junto eternamente e troca de juras. ( Mesmo que ela mal soubesse de onde ele vinha ou quem realmente era. ) Todos os homens quais ela ali conhecia nas primeiras trocas de emails e mensagens eram os verdadeiros príncipes.

Mas, infelizmente, os sapos não podiam se esconder por tanto tempo. Os sapos arrotavam, viravam ogros na quarta feira e davam desculpas esfarrapadas quando falava-se de se encontrar na real. Ainda não respondiam mensagens de celulares durante a noite ou finais de semana. (Hum, hum? O que pode sugerir quanto a isso? Príncipes só atendem em horário comercial??)

Foi por tais desestímulos que Kathe Jessica mal acreditou quando um árabe charmoso, empresário (dono de box na Santa Efigênia (parênteses do parênteses: rua de comércio de eletrônicos em SP, tipo cotrabando legal, sabe? ( parênteses do parênteses do parênteses: talvez seja ilegal, mas e daí? É mais barato para quem compra, e isso que a princípio parece importar, não é? ) Parênteses do parênteses do etc e tal: Ta, eu sei que não é botino e nem honesto o que falei, mas enfim...) ) ) ) quis encontrá-la de verdade. Em carne e osso. "Olhos, nos olhos, boca na boca... que coisa louca...a gente se encontrar outra vez... " (Último parênteses, prometo! Não vou contar de quem é a música citada, e tenho dito.).

Arrumou-se da melhor forma (Calcinha nova. É assim que mulher se arruma para um encontro promissor). O moço das Arábias tinha mandado um táxi buscá-la e levá-la até sua casa, do outro lado da cidade (nesse momento Kathe Jessica tratou logo de mandar uma mensagem de texto para uma grande amiga. Porque caso perdesse um rim, era em "tal" endereço que deveriam ir buscá-lo!).

Chegou lá foi recepcionada por ele com dois beijos exagerados no rosto, dois "brimos" e uma comida extramente temperada. (Preferiu ocultar a parte em que eles dançaram com os ombros para demonstrar-lhe a alegria em vê-la). Conversaram. Riram. Beberam uma "51" que eles chamavam de Arak. E foi com uma dessas na cabeça que ela já começava a pensar: "Mas e aí?? De três não dou conta!". Só que não demorou muito os dois "brimos" deixaram o apartamento, restando apenas ela e o árabe charmoso. Tomada por um minuto de desconforto e timidez, ela pediu licença e foi até o banheiro. O árabe, neste momento, lhe prometeu: "Vá, vá e quando voltar terá uma surpresa!".

Kathe Jessica minutos depois saiu do banheiro ( e antes tivesse ficado lá!) e encontra o árabe deitado no sofá com as mãos na cabeça, uma perna dobrada e a outra esticada (pose de gatinho sabe?) apenas de ... Cueca vermelha! (Pense!!!!!). Com cara de lobo mau das arabias (seja lá a cara que for esta!). À Kathe Jessica só lhe restou uma crise de riso, ja logo imaginando que este "pretendente acasamentoevidafelizparasempreeternaenquantodure" seria bloqueado amanhã no site. Havia mais principes a serem conhecidos e os próximos que usassem cuecas brancas (pelo amor de Deus!).