quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A MINA DO GUSTAVINHO


Entrou naquele ambiente, como ela poderia dizer? Rústico? Era "daquele jeito", um salão apertado, reboco aparente, chão batido ... O que eles queriam lembrar? Uma lage? Um quintal? Ela enguliu seco e tentou não se arrepender de ali estar.

Olhou a sua volta e buscou entender por que boa parte das mulheres que frequentam o samba gostam de ter aparência que não tomam banho. Aquele cabelo emaranhado, aquela saia comprida surrada, aquele chinelinho de dedo de dar dó. Dó do pé preto. Gente, não tem dinheiro pra comprar roupa pra ir na balada não vai né? Aquele "baticumdum" era eterno e as letras das músicas ela nunca tinha ouvido antes. Se dissessem que haviam feito meia hora antes dela chegar, ela acreditaria. E no fim todas eram meio que iguais, falando de "até o dia raiar" , "vem pra roda" ou "bate na palma da mão".

Todo samba tem seu gringo. Todo gringo quer ter a ginga. Mas ginga e gringo não combinam, alguém avisa? Mas ele não desiste ! Fica lá com uma mão ele levanta a cerveja e a outra ele aponta o indicador em movimentos alternados descendo e subindo. Com uma felicidade tamanha quando a música tem "la la ia" e ele pode cantar junto.

Mas assim ia a sua noite, cheia de situações a sua volta que Laysa Valkyria só observava e quando ela ja achava tudo realmente ruim, soube que poderia piorar. Dois caras se aproximaram de onde Laysa Valkyria e suas amigas se encontravam. Um deles usava um chapéu de pananá, uma camisa de seda aberta e tentava fazer um estilo. Um estilo otário sabe? Foi chegando cheio de molejo ou devia dizer andar de bebado? E foi perguntando se inclinando a elas:

- Posso?

"Pode o que, oh doido?" Laysa logo pensou.

- Posso conhecê-las? - ele completou a frase ao perceber nenhuma entrada diante sua primeira tentativa, enquanto seu amigo apenas limitava-se a dar goles curtos em sua cerveja.

- E se eu disser que não?

- Ah vá! Você não seria chata assim!

- Ahhh eu seria sim!

- Você ta falando assim porque está me reconhecendo não é?

- E você é o famoso quem?

- Eu sou músico! Uma dupla sertaneja.

- Famosa? Não te conheço.

O papo por si era irritante, e então, ele conseguiu achar uma forma ainda mais irritante de querer se mostrar, não faltava mais nada mesmo para Laysa Valkyria do que ter que aguentar em um samba, um bêbado cantor sertanejo. Mas neste momento ele a olhou de uma maneira diferente e fez parecer que algo tinha-lhe surgido em mente.

- Hey você é a mina do Gustavinho!!

O semblante do amigo neste minuto também clareou, como se igualmente reconhecesse Laysa Valkyria! E nem mais dois segundos se passaram em respeito ao tal do Gustavinho, ambos se despediram e sumiram diante aos "sambalelês" do salão.

Laysa Valkyria não tinha a mínima idéia de quem seria Gustavinho, mas naquela hora achou perfeito ser a "mina" dele.

4 comentários:

Chico disse...

tsc tsc tsc tsc tsc... Vc contou tudo isso pra não dizer quem é o tal do Gustavinho??

Juliana Aidar disse...

essa história é real e eu presenciei, sou uma das amigas que estava presente, e la não era bem pagode né Li, era samba, ADOOOOOOOOOURO. Alias quero voltar la, muito bom o lugar por sinal. Figuras os caras mesmo, que alias o de chapé evaporou la né, alguém disse que podia e abduziu ele, por nossa sorte! Chicão, acho que só os 2 caras sabem quem é Gustavinho, se é que esse Gustavinho ai existe né rs. ...beiJUcas...( Laysa Vlakyria foi demais haha)

Ari Meireles disse...

hahahahahahaha
Na proxima pergunta e vc não ta me reconhecendo eu sou a mina do Gustavinho.

Coisa-negócio disse...

Salva pelo gongo...mas, é o tipo de situação que vc se faz aquela pergunta fatídica: "o que é que eu tô fazendo aqui?!"...isso é o pior de tudo! ...bom dia Lica...bjus