
Olhava para seu guarda roupa e tinha a certeza absoluta que lá não teria nada que servisse para ocasião. Podia jurar que nenhuma das suas (muitas!) blusas ficariam boas com a saia que ela estava pensando usar.
- Banca ta pronta!!?? - "Banca" era de branquela na língua dos bestas apaixonados - Vamos logo! - gritou ele da sala em direção ao quarto
- Como assim Pleto? - "Pleto" era o jeito carinhoso besta apaixonada dela, por sua vez, chamá-lo. E nada tinha a ver com o tom de pele dele, uma vez que o mesmo era loiro. - Ainda to de toalha, nem comecei me arrumar. Pleto, não sei, não tenho roupa!
- Ah não começa Banca! Não começa! Você não tem roupa como eu não tenho vontade de ficar em casa.
- Não começa você Pleto, não começa! Nós vamos sair sim, está tudo combinado desde o ínicio da semana. Eu vou me arrumar rápido.
- Ah vai sim, vai se arrumar tão rápido que vai dar tempo de irmos de carona com o trenó do Papai Noel.
Ciro Tadeu começou a pensar enquanto ia à cozinha pegar uma cerveja, qual era o problema de simplesmente pegar qualquer blusa, qualquer saia e vestir! Até mesmo porque toda a finalidade desta noite era sexo! Ou seja, tirar a droga da roupa! Sim, porque para Ciro Tadeu sair para jantar, dançar, bla bla bla tinha um único e simples significado: Lingerie nova. Sim! Mulher adora colocar uma calcinha e um sutiã novo para ter uma noite especial!
- Pleti! - Sim, agora ela tinha dito "Pleti" era um derivado do diminutivo de "pleto" um jeito preguiçoso de falar "pletinho" - Se eu colocar a bolsa azul turquesa vai ficar feio com minha calça cenoura? - perguntou ela manhosa.
"WHATAFUCK é a cor turquesa?" Pensou ele, mas não ousou externar... Mas ela havia falado em azul, sendo assim fazia ele lembrar da camisa do Cruzeiro. Ele não gostava do Cruzeiro, por conseqüência não gostava de azul. E falou também em Cenoura, "putzqueparila" ele não ia sair nem ferrando com uma mulher do lado vestida com uma calça laranja.
- Calça laranja Banca? Coloca uma saia - "sai mais rápido ui ui ui sexo! sexo!" o pensamento dele fervilhava.
- Que laranja Ciro Tadeu? Quem falou em laranja? Cenoura é o modelo da calça, é uma calça com o fundo mais folgado e pernas justas.
- Cagado mesmo?
- Ai como você é grosso Ciro Tadeu! Esquece, vou de saia.
"Saiaaaa!" sinônimo de sexo no carro será? Uma rapidinha antes da balada, coisa e tal, tal e coisa. E por falar em comer, Ciro Tadeu já estava faminto. Considerou se mais uma vez gritava para apressá-la ou se buscava algo na cozinha para beliscar e não morrer até a hora que conseguissem chegar ao restaurante. Achou prudente ir a cozinha beliscar algo.
Depois disso Ciro Tadeu ainda teve tempo de ver os melhores momentos da rodada do campeonato brasileiro no canal de esporte. Teve tempo também de ver o último bloco da novela. Tinha lido que a Diana ia contar o segredo de Gerson, queria mesmo ver isto. E por fim, cochilou. Após exata uma hora e doze minutos surge ela a sala. Com uma roupa que seguia o padrão dela. Com a maquiagem costumeira. Sua bolsa favorita e aquele maldito sapato que ela sabia que machucava o pé dela para dançar, mas que ela insistia em colocá-lo para sair, pois, era fashion.
- E aí ta bom? Gostou? Acha que vou passar frio? - perguntou ela dando a entender que qualquer titubeada dele na resposta ela voltaria para trás e começaria do zero.
- Nossa, meu amor, valeu a pena esperar você está muito linda! - ela já sabia de cór o que responder.
- Ai que bom, então vamos! - Beth Olga o puxou pela mão toda sorridente.
- Só uma coisa, Banca. Já vou avisar. Eu vou broxar.
- O QUE??
- Claro Banca, já vou avisando, vou broxar mais tarde... Olha que horas estamos saindo, vou beber, vou comer bastante porque to com muita fome de tanto te esperar, você também vai inventar de dançar. Trabalhei hoje Banca, to cansado. E ainda quer que a gente chegue em casa e transe? Não dá não Banca, vou broxar. Vai, vamos logo embora antes que fique mais tarde e a gente só consiga comer em uma loja de conveniência de um posto.